quarta-feira, 2 de maio de 2018

HERANÇA DE ADÃO


por Inajá Martins de Almeida

Todas as coisas foram criadas por Deus: céus e terra, luz, água, luzeiros no firmamento dos céus, animais para povoarem as águas, o  homem; feito sua imagem e semelhança, poderia ter domínio sobre todas as coisas por Deus criadas.

A tudo viu Deus o quanto era bom, porque a terra era sem forma e vazia e seu Espírito pairava sobre o abismo e as trevas.  

A terra sem forma e vazia, trevas cobriam a face do abismo. Sobre as águas pairava o Espírito de Deus. Bastava, contudo, um comando –  “Haja luz”... e houve luz.

E houve separação entre luz e trevas; dia e noite se identificaram. Águas se separaram, formaram Mares. Terras secas se juntaram e começaram a produzir relva, frutos e semente.

A tudo Deus achou bom.

No firmamento luzeiros apareceram – separaram-se dia e noite, estações para dias e anos.

Seres viventes povoaram a terra e os mares. Também a tudo Deus achou bom. E se era bom todas as coisas criadas, bastava à Criação criar o homem a sua imagem e semelhança e assim o fez e também achou bom.

Ao homem a incumbência de cultivar e guardar o jardim do Éden; tudo lhe era permitido comer, menos da árvore do bem e do mal. Sua condição humana imputava-lhe responsabilidade pelos seus atos, em detrimento da soberania do seu Criador, a quem deveria obediência e acato as ordens.

E Deus observava o homem e pensava não ser conveniente que este vivesse só, pois  faltava-lhe uma auxiliadora que lhe trouxesse alegria.

E Deus fez cair o homem em sono profundo e, da carne de sua carne, criou Deus a mulher e ambos se relacionavam e de sua nudez não se envergonhavam. 

Até que o desacato, a desobediência vem de forma sorrateira através da imagem de uma serpente. A mulher é o alvo central. Enganada come do fruto proibido e o dá ao homem que não se atém a adverti-la ou coagi-la do engano.

Ah enganoso o coração do homem... E corrupto... Quem o conhecerá? Deus!

E logo perceberam a nudez e se esconderam. Os dois não podiam se olhar – criou-se ali uma barreira. Buscaram cobrir-se, afastarem-se um do outro. Percebia-se naquele momento a desordem a instalar-se no âmbito familiar. Os dois que formavam uma só carne, agora se envergonhavam da própria conduta, ademais, quando se pensa que caminharão lado a lado eis que são interpelados:

- Onde estás?

Esconde-se o homem, porque tem medo da sua atitude – comeu do fruto proibido – da sua nudez, pior ainda, não chamar para si o erro e o atribui a mulher:

- A mulher que me deste como esposa me ofertou o fruto, e eu comi.

E Deus questiona a mulher e esta se diz enganada pela serpente, pior do que isso a inimizade ali se instalara, de geração em geração, abria-se sombras tenebrosas. O pecado consumiria corações e lares.

A herança de Adão nos faz olhar sempre o pior nas pessoas, como a dizer:

- veja a mulher que o senhor me deu.

Enquanto Deus a tudo achava bom, o homem – Sua criação – reduziu-se às trevas, ao lado disforme, vazio; despiu-se do Espírito de Deus, voltou à condição de pó, de barro, teria agora de ser trabalhado, remodelado, a fim de reconquistar aquilo que lhe fora entregue pelo mover de Deus que a tudo achava bom.

Envergonhava-se, agora o homem, de sua condição de nudez – física, mental, espiritual.  

Teria, pois de percorrer longo caminho para a árvore da vida. 

(Ge 1 / 3) 
  

terça-feira, 1 de maio de 2018

CASA DE BONECAS - Henrik Ibsen


por Inajá Martins de Almeida

As manhãs sempre me proporcionam novo pensar e pesar. 

Leituras levam-me a reflexões além do livro e autor e divago e passo aos meus rabiscos. 

Neste momento é o autor Henrik Ibsen,  norueguês, considerado o criador do teatro realista moderno, e que viveu no século XIX, início XX (20/03/1828 – 23/05/1906), com sua peça instigante “Casa de Bonecas” que vem tocar fortemente meu sentir mulher, numa época conturbada quanto esta em que estamos envolvidos – enquanto humanidade.

Incrível é que livros e autores podem nos tocar e falar, ainda que distantes e fora do cenário atual. 

As cenas em que a protagonista se vê envolvida, pode ser aquela em que podemos até pensar em nosso papel dentro do lar, da família, da sociedade –  enfim, paralelo entre a mulher que se dedica aos afazeres do lar e a mulher com todos esses e mais as atribuições profissionais fora do lar – estudo, preparo para o mercado de trabalho. Quantas vezes, cansaço, abandono de si.

Bom... O que me veio à mente, a par da leitura em si, fora a grande rebelião ocorrida no céu.

Recorro a trechos nas Escrituras. Donde porventura tantas contendas?  Tanto desentendimento, fome, seca, desavenças familiares?

Sim...

“És tu que debilitas as nações... “ (Is 14:12); tentas e prometes (Lc 4:6) o que não podes cumprir, posto que lançado fora desde as alturas; “tu que eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci...” (Ez 28:14), “que engana todo mundo... (Ap 12:9)

Para mim já é o bastante, sabedora de que aquele que criado fora para ser anjo de luz, a nós chega para “roubar, matar e destruir” (Jo 10:10); roubar nosso viver em Cristo, matar nossos sonhos vindouros e destruir nossa morada eterna.

Olho para o cordeiro, sendo levado cativo, calado, carregando consigo nossas dores e mazelas, Ele que a nenhum pecado fora encontrado, sobe calado para o sacrifício final e me coloco na atualidade quando pessoas choram no altar, sob palavras e canções emotivas, saem agraciadas, encantadas, extasiadas,  mas, decorridos momentos fugazes, a velha criatura volta habitar aquela que há pouco se envolvera em êxtase, ante o local, as pessoas... 

Apenas maquiagem. 

Sepulcros caiados, impacientes no trânsito, nos lares. 

Dois mil anos se tornaram distantes demais, pior ainda, almejam pela volta do Mestre. E me questiono: 

- para quê?

Sim, fora o texto que me levou a dimensão da escravidão. Fora nos dado o paraíso, mas optamos por agarrarmos a seduções.

Muitos a brincar de casinha de bonecas envolvidos com aquele que seduz, que rouba e mata.

Lemos... E a leitura nos eleva quando dela buscamos aprendizado, aperfeiçoamento para entendermos o que fazemos com nossa vida, com nossos sonhos.

Nas manhãs... o encontro com Aquele que nos leva ao entendimento através de leituras várias.   

O CANTAR DO GALO – reflexões sobre o texto bíblico e uma tese



por Inajá Martins de Almeida

Instigou-me sobremaneira a proposição do prof. Enzo, em sala de aula, quanto ao significado do cantar do galo na negação de Pedro.

Confesso que essa questão sempre estivera presente em meus pensamentos de forma interrogatória. Agora interrogativa.

No primeiro momento, vali-me da releitura dos textos. Abstraí questões, despercebidas em leituras anteriores. Imediatamente aventurei-me às linhas.

Apontamentos começaram alinhavar retalhos de palavras, do texto ao contexto. Ovelhas. Rebanho. Esta noite. Vigília. Seguir de longe. Aquecer ao fogo.  Na calada da noite. O escandalizar. O negar. O sono pesado. O despertar. O choro. O cantar do galo. O ressoar. Outro mais.

Às mãos, faltavam-me bibliografias. Porém, a internet - a galáxia cibernética – me encaminharia à tese.

“A verdade sobre o “Canto do Galo” no episódio da Negação de Pedro” – estudo do teólogo e pastor Carlos Augusto Vailatti - a partir de então iria ocupar minhas noites de sono. Pontuar retalhos. Alinhavar palavras. E me alegrava ante o universo das descobertas. “Conservar crenças”. “Temer interpretações”... Era o texto que me chamava. Ao texto adentrava. O contexto complementava. 

A “interpretação alternativa”. Os “elementos linguísticos, contextuais, culturais e históricos” aguçavam minha mente. Logo os registros se fariam necessários.

MATEUS 26:34
MARCOS 14:30
LUCAS 22:34
JOÃO 13:38

Disse-lhe Jesus: em verdade te digo que nesta noite, antes do galo cantar, três vezes me negarás

E lhe diz Jesus: Em verdade te digo que tu, hoje, nesta noite, antes de duas vezes (o) galo cantar, três vezes me negarás

Mas ele disse: digo-te, Pedro, não cantará hoje (o) galo até que três vezes negues me conhecer

Responde Jesus: a tua vida por mim darás? Em verdade, em verdade te digo, de modo nenhum (o) galo cantará até que negarás a mim três vezes.

Do texto, pontuava os tópicos à minha inteligibilidade. Transcrevia tópicos.

1)    Todos os Evangelhos são unânimes à tripla negação
2)    O termo “Nesta noite” aparece em Mateus e Marcos
3)    O adjetivo adverbial de tempo - “Hoje”  aparece em Marcos e Lucas
4)    Detalhes da tripla negação  - Antes do cantar – em Marcos
5)    Esclarecimento sobre o significado da negação - ...”negues me conhecer” – Lucas
6)    Pedro é questionado : “A tua vida por mim darás?” – somente em João
7)    Variações verbais

O “lugar” onde Pedro se encontrava. “O cantar do galo” me enredava mais e mais ao estudo. Fantástica viagem!

À dissertação em tela, enumerada era de forma sucinta:

1)      A casa do “Sumo Sacerdote estava no centro de Jerusalém”, para poder demonstrar a inexistência de galinheiros naquela localidade.

2)      Divisão do dia em período de três em três horas sendo:
- primeira vigília das 18 às 21 horas – termo também abreviado pelos judeus por “tarde”
- segunda vigília das 21 à meia noite – pelos judeus “meia noite”
- terceira vigília da meia noite às 3 horas –  “canto do galo” expressando o final da 3ª vigília
- quarta vigília das 3 às 6 horas – “de manhã”

3)      Uso de latinismos – expressões latinas – utilizada pelos romanos
- primum gallicinium – primeiro toque da trombeta – período entre a meia noite e 3 horas da   madrugada
- secundum gallicinium – segundo toque da trombeta – período entre as 3 da madrugada e 6 horas da manhã (o primeiro e segundo toques de trombetas emitidos na fortaleza Antonia)
- “gallicinium” – cantar do galo

4)      Emprego de palavras em grego tal qual - foneo – ressoar

E compactuava o autor e também me perguntava:

Poderia então o “galo cantar”, ou a “trombeta ressoar”? Teríamos a compreensão literal ou metafórica do texto?

Percebia que a tese não engessava o pensamento. A interrogação vislumbrava pontos. Linhas convidavam ao embarque. Podíamos viajar. Era o momento em que minha imaginação buscava as linhas em alinhavos de palavras quando...

Jesus alertara Pedro e os discípulos.

“Esta noite todos vós vos escandalizareis de mim porque está escrito: ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas...  (Mt 26:31-35)

Pedro e os demais questionavam o não negar. O não se escandalizar. Não foi o que percebemos do texto. Uma. Duas. Três. Poderia ser também o alerta para os tempos atuais? Você conhece esse homem?

Independente da resposta, Jesus sabia. Jesus sempre sabe. Três vezes alertados à vigília, pesado e profundo sono os abateria. E voltariam a dormir. E Sua alma se entristecia à morte. Antes que duas vezes o galo cantasse, três vezes Pedro o negaria. E O negou. O galo cantou? A trombeta soou ou ressoou?

Eram as ovelhas que ainda “esta noite” – durante a vigília – estariam sem Pastor. O rebanho quem, sabe se faria disperso. À distância Pedro – de longe – temeroso, assustado, seguia aquele que jurara jamais abandonar. Jamais se escandalizar. Jamais O deixar de amar. Aquecido ao fogo. Na calada da noite. À distância - observava. E O negava. E chorava.

Lembram os retalhos de palavras alinhavados? Ou continuamos a dormir sob pesado sono? Vamos despertar “o choro” da nossa consciência.

Pois, se o “ressoar do galo” na fortaleza Antonia ou “o cantar do galo” na casa do sumo sacerdote provocaram inquietações, não podemos afirmar. O que não podemos negar é que Ele bate à porta. Chama-nos pelo nome. Dá-nos a oportunidade de sermos novas criaturas. Basta apenas que estejamos despertos.

Então, busquemos e perseveremos em segui-lO de perto. Pedro, com certeza foi desperto. Pelo “cantar do galo”? Pela “trombeta”? Pela própria consciência, jamais o saberemos. Mas é Pedro que vamos encontrar ao lado do Mestre ressuscitado. É Pedro que nos dá grandes lições no derramar do Espírito, independentemente do cantar do galo ou do ressoar da trombeta.

Referências:
BLOG CARLOS AUGUSTO VAILATTI

ARTIGO TEOLÓGICO CARLOS AUGUSTO VAILATTI





NATAL


Por Inajá Martins de Almeida

É Natal. Ruas movimentadas. Brilho por todos os cantos. Preparativos. Festas. Fogos. Abraços. Apertos de mãos. Muita comida sobre as mesas ricamente ornamentadas.

É Natal. Estradas agitadas. Carros possantes, desenfreados aceleram. Há pressa de chegar ao destino, que nem sempre se cumpre.

É Natal. Há frio nos olhares furtivos nas ruas. Párias da sociedade vagueiam de um lado para outro. Não há paz. Não há harmonia. Não há apertos de mãos. Não há abraços apertados. Deixaram-se perder, nas ruas, aqueles que um dia trouxeram alegria a lares, tantos.

É Natal. Leitos compartilham dor e sofrimentos em frios corredores desertos. Quantos sonhos terminais jazem.

É Natal. Lares. Igrejas. Ruas. Comércio. Presentes. O mundo gira. Em cada espaço uma esperança, quiçá a desesperança.   

Mas é Natal.

Há que comemorar o nascimento de uma criança. Não de uma criança igual a todas as crianças, mas de uma criança que abdicou de toda glória, vestiu-se como a um de nós, tornou-se carne e nos amou mais do que qualquer criança poderia nos amar.

Jesus. Nosso Natal todos os dias.

QUAL A NOSSA FOME?

por Inajá Martins de Almeida

- Você precisa ter fome.

Estanquei. Passei a inquirir o sentido da fome. Percebi que só caminhamos quando as necessidades nos forçam a sair da área de conforto.

Olhei para dentro de mim. Acompanhei minha trajetória através da linha do tempo. Entre linhas e rabiscos, chuleei a jovem na capital paulista, recém formada, desempregada, mas dona de um sonho maior do que aquela imensidão, emaranhado de pessoas que iam e vinham no burburinho das alamedas ruas e avenidas, todas abertas a conduzirem os sonhos da jovem. Janelas que se abriam aos horizontes infindáveis dos que sonham e buscam se realizarem através deles.

Lembrei-me de José, sim, o personagem que provocara a ira dos irmãos. Era a capa colorida que os ofuscava, mas, acima de tudo eram os sonhos que os perturbavam. E percebi que...  

Era o sonho que movia o olhar inquieto. A mente a trabalhar em compassos alterados, enquanto gravitava em busca da realidade do sonho, o sonho realizável. Da realidade, o sonho real.

Sonho... Dias após a fome me levaria a desvendar a existência de duas pessoas apenas: as que sonham e as que estão mortas. Logo formado estava o triângulo: - a fome, o sonho e a sonhadora.

E volto a José... Imagino noites e dias naquele poço fundo, sem água, alimento - era a fome que abatia seu corpo, mas o sonho do sonhador o alimentava, ao ponto de ser visto pelos que passavam e ouviam seus gritos inflamados. 

E José fora levado como escravo e faraó dele se apiedou e o tornou seu administrador...

A jovem sonhadora cedera lugar a jovem sexagenária, mas cheia de sonhos. Sentia-se viva, ainda mais diante das lembranças. Os sonhos que se transformaram. Sonhos realizados. Sonhos abafados. Sonhos sonhados. Mas... Sonhos.       
  
Era eu a jovem que trazia na bagagem, muitos sonhos. 

Sou eu a sexagenária, que  não perdeu os sonhos, ainda  que muitos sonhos se ajam perdidos pelos caminhos...

Sonhos de sonhadores... Sonhos de Josés...


Fora esta a impressão que me veio aos sentido, quando assistia um treinamento do psiquiatra, escritor e palestrante Roberto Shinyashiki, e me deparei com uma fala que me tocou fundo:

- Você precisa ter fome.

Esta fome eu tenho. 


TIMIDEZ versus SENSATEZ


 por Inajá Martins de Almeida

Podemos pensar no estudo, sem degustá-lo, dedicar tempo à sua meditação. Quiçá afrontá-lo ao ponto de encontrar outros pontos além dos pontos do autor?

Sim podemos. Caso contrário estudo passa simplesmente a ser mera leitura, casual, que se perde no emaranhado de textos, em que o interesse primordial se torna apenas informativo.

Fora o caso neste domingo em que a timidez de Moisés, personagem bíblico que acostumado fôramos a enxergá-lo como libertador, intrépido, ousado, agora, ante o texto a estudar, vem se apresentar como tímido, covarde, embaraçado, ante a proposição imputada por Deus:

_ Moisés, Moisés...

_ Eis-me aqui...

Mediante essa premissa, abstraio alguns tópicos:

Curiosidade. No primeiro momento passo a perceber que a curiosidade invade o sentir daquele que adquirira por quarenta anos a sabedoria palaciana no Egito, ao ponto de ser preparado à sucessão do faraó. A leitura nos dá essa liberdade, não a todos, a alguns, de ir além da própria leitura.

Perplexidade. Maravilhado, tomado pelo êxtase ante a visão da chama que não se consumia no deserto, vai ao encontro do anjo que lhe aparece em meio a sarsa ardente.

Obediência. Retira a sandália, ante o lugar sagrado que se encontra ao mesmo tempo em que cobre seu rosto, “porque temia olhar para Deus”. Aquele que a ele se apresentava:

_ “O Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó.”

Entretanto, o que motivara o diálogo inflamado com Aquele que se apresentara como EU SOU. Aquele que vira a aflição dos cativos nas mãos dos opressores. Aquele que a Moisés escolhera:

_ “Vai, pois, eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito meu povo, os filhos de Israel.”

Novos desafios ante o texto. Vista de pontos que apontam novos pontos:

Incredulidade?
_ Qual é seu nome? O que lhes direi? Moisés refuta...

Baixa estima? Timidez?
 _ “Quem sou eu para que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? A cena do assassinato ainda gritava dentro de si? A fuga?

Falta de visão?
 _ “Eu estarei contigo, e isto te será por sinal de que eu te enviei.” O cesto que o levara à irmã do faraó. O ser amamentado pela própria mãe, a mando da princesa egípcia. As mãos em que a tudo tocava e se agigantava aos olhos do faraó, ao ponto de vê-lo como seu sucessor? Faltava-lhe a visão das mãos imperiosas que o livrara do fio, em tenra idade, da espada da ira do inimigo insolente?

Desobediência – desacato a ordem
Moisés acostumado fora a dar ordens, jamais receber ordem. Fora criado dentro do palácio do Faraó e tinha plenos direitos sobre as pessoas do local. Afinal, tudo lhe era novidade. Agiríamos nós de forma diferente?

Timidez
Assim, o estudo na escola dominical nos encaminha outro tópico, a timidez.
 Recorro ao dicionário e ele me aponta para a classe gramatical substantivo feminino e conceitua como caráter de quem é tímido, inseguro, acanhado, inibido. Mas também traz outra característica marcante em que me apego mais detalhadamente – falta de coragem.

Ademais, qual seria o antônimo de timidez? E encontro a coragem, a intrepidez, a ousadia, o vigor, o destemor, a confiança, a bravura, a audácia, a vivacidade, mas também o aventureiro, o ostentoso, o soberano, o orgulhoso, o presunçoso.

Vou um pouco mais além e divago ao pensar na sensatez, antes mesmo de me ater aos pontos que envolvem o diálogo entre Moisés e Deus e no mesmo dicionário encontro a definição apontando para a qualidade do que é sensato, prudente, ponderado, discreto, possuidor de bom senso moral.

A partir de então já possuo subsídios para dissertar sobre os pontos que me tocaram fortemente o anseio pela busca de um texto, que venha formatar minha impressão sobre o tema tão significativo. E, ao analisar as palavras encontradas:

TIMIDEZ 

Opto por TÍMIDO, ACANHADO, INIBIDO. 
Aliás, penso que qualquer um de nós poderia manifestar essa atitude ante aquele que abrira o mar, que alimentara o povo no deserto, trouxera pragas ao poderoso faraó.

SENSATEZ 
Percebo também as palavras para sensato, qual seja prudente, discreto

Moisés que se intimidara ante a sarsa ardente, a ela chega de forma prudente, despe-se de todos seus pertences físicos, rende-se aquele local que lhe chama,  mas procura o bom senso, pois sabe que a ele a incumbência é a de voltar para o povo que está no deserto, contar o que se passou naquele local e imaginar que poucos acreditarão naquela história. 

Como irei identificar aquele que a mim falara?
Julgo que qualquer um de nós em situação similar, faria o mesmo ou não
   
Quanto a nós? Como administramos nossa timidez?  E nossa sensatez?

Ótimo estudo. Ótima reflexão, ao ponto de buscar esse entendimento neste momento.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O QUE ESTAMOS A FAZER COM NOSSA ESTERILIDADE?


Texto de Inajá Martins de Almeida
sob os capítulos  Gênesis 12 em diante 


Chove. Há dias o tempo se sustenta em água. 2017 respira seus últimos suspiros. Envelhecem seus 365 dias. Entregam-nos outros mais. Multiplicam-se anos. Somam-se alegrias, dores e tristezas. Vemos pessoas cansadas. Vemos pessoas desorientadas. Vemos... Entretanto, não conseguimos perceber a presença de anjos que nos falam, apontam-nos promessas. Apenas olhamos para o alto e observamos estrelas... Com elas sonhamos. Queremos alcançá-las. Não nos atemos ao anjo e rimos. Observamos apenas nossa condição infértil. Desacreditados continuamos olhar estrelas no céu e o anjo a partir, sem nos darmos a devida nota. 

Cibernéticos nos tornamos. Sentimos orgulho de pertencermos a Era Digital. Era Global. Pobres e nus... As vestes não nos cobrem a solidão, a insegurança, a incerteza, a ansiedade e tudo mais.  

Envolta a situações adversas, vales de ossos secos, a  Palavra me leva a personagens singulares – Abrão e Sarai. E penso. E reflito o que está escrito e esboço meu pensar. 

Viajo no tempo, mas também posso encontrar sarais e abrãos em nossa jornada. Personagens que me direcionam as linhas. A eles me valho. A elas me lanço ávida. 

Confesso não ser este o melhor dia de minha jornada. Já os tive muitos melhores, também piores, entretanto a reflexão me faz parar a buscar a Sarai e o Abrão que se encontram em mim: - não, contudo, os personagens que a Escritura nos traz, mas aqueles que aos poucos foram buscando morada: descrença, mentiras, contendas, incredulidade, passividade, lascividade, pecados. Mais pudera acrescentar. Cada qual tem suas saras, seus abrãos.

Épocas outras. Irmãos por parte de pai. Consortes a buscar gerar família. Todavia o futuro reservaria infertilidade a Sarai, mesmo Abrão sob promessa de se tornar grande nação – Sara permanecia estéril e avançava em dias.

Abrão contentava-se com o sobrinho Ló, a quem dispensava bens, partilhas e cuidados, enfrentando exército feroz de homens maus. Sarai observava calada em sua tenda. Tio e sobrinho cresciam em bens físicos, mas não em bens espirituais – contendiam, não podiam ocupar mesmo espaço e se separavam.  

Abriam-se as esterilidades espirituais. Enquanto Sarai, em sua tenda, observava a escrava Agar em seus afazeres, Abrão observava as estrelas do firmamento, Ló constituía família em terra de pecado.        

E nós em tempos modernos? Onde nossa esterilidade?

Anjos aparecem a Abrão – eram três. Anunciam-lhe a chegada da promessa – a constituição de uma grande nação. Deus já havia pedido à Abrão que olhasse o céu e contasse as estrelas. Esquecera? Apagara de sua mente a lembrança?

Poderia ser possível que naquele homem, que nos chegou a dias atuais como o pai da fé houvera incredulidade? Sarai cuja madre lhe seria aberta à passagem de numerosa nação o mesmo aconteceria?  

Então? Abrão ri ante a impossibilidade – Sarai avançava em idade. A ele, também impossível, mas quem lhe mandava recado, quem lhe falava não eram as circunstâncias naturais era o sobrenatural que a tudo pode.

Sarai também ri – desacreditada dela e do sonhador Abrão. O marido que vinha colocando feridas em sua jornada, tantas que se podiam contar:

- saída do seu lugar de segurança, para peregrinar em terras estranhas;
- envolvimento com pessoas de conduta dúbia, a pensar no sobrinho;
- encontros com reis de outras nações;
- mentiras a que fora submetida a compactuar, por duas vezes, muito embora      meia mentira, mas as conseqüências drásticas demais,

mais ainda,

- entrega de Agar, a que Abrão não conjecturou e Ismael nasceu, nascendo         assim, sob promessa de Deus a nação que se perde de vista.  Nação que em     futuro entraria em confronto com o irmão que nasceria. Nações que contenderiam e se dividiriam.

Penso nas Sarais que todos os dias, em todo o planeta são ultrajadas, lançadas a sorte, ao escárnio, ao pecado, ao repúdio e mais drástico ainda, a morte.

O tempo não fora acatado. A que ponto se chega à descrença, à incredulidade, à infertilidade. Mesmo anjos se apresentando, Deus falando, o discernimento cega e ensurdece, a espera cansa e por si toma atitude; a crença de que o cumprimento da promessa se fará em dia, hora e local prometido desaparece. 

Ismael já é fato concreto e cresce, abrindo mais chagas no viver de Sarai.

Agora, mudam-se os nomes - Sara e Abraão – marido e mulher – perante Deus a constituição da grande nação – mas a roupagem ao que parece continua a mesma. Isaque nasce, cresce o menino, quando o mais grave, o momento crucial lhes advém. Agora não mais ao casal, mas a Abraão. É Deus a pedir a restituição do filho da promessa e sai o patriarca. Madrugada adentra, pai e filho seguem.

Onde Sara. A Palavra não nos expõe o fato. Pensamos apenas o que é um filho para uma mãe. Por que Deus a pedir o sacrifício dessa natureza ao pai? A mãe não entregaria? Não disporia o filho da promessa? Quem sabe?!  Ana soube entender tempo depois e Samuel desmamado seguiu para a casa do profeta Eli.

Aqui apenas fica a sensação das feridas abertas em Sara. E vemos Isaque retornar, não mais para o convívio com sua mãe, mas para terras estranhas. O que teria acontecido. Será que não acontece hoje também?

O que se conta é que Sara morre aos 127 anos no local de sua segurança. No local que lhe inspirava, posso imaginar a presença de Deus em seu viver. 

Sua tenda, decorridos anos, se manteria intacta até a chegada de Isaque e Rebeca, entretanto, Abraão prantearia sua morte, ainda que nova família lhe trouxera a união com Quetura.

Por que temos de chegar a esse ponto. Por que não almejar que a alegria chegue com a manhã como o fizera o apóstolo Paulo e nos entrega linda mensagem?

Ainda assim, Deus nos dá a promessa de que podemos ser novas criaturas. Deixarmos a velha para traz, seguir caminho certo quando nos entrega seu próprio filho para que possamos ter vida – vida em abundância.

Sob esses apontamentos, pude encontrar a pregação do Pastor Benhour Lopes da qual percebi que há homens que se preocupam com as feridas de Saras em nosso tempo.

Ótimo início de ano – 2018.


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Acompanhe a pregação

       
 https://www.youtube.com/watch?v=MTZX_x2D8wU

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